Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007

Half Nelson: Encurralados

Nome original: Half Nelson
Ano: 2006
Duração: 106
Slogan: Secrets don't let go.
Realizador: Ryan Fleck
Argumentista: Ryan Fleck e Anna Boden
Actores: Ryan Gosling (Dan Dunne), Shareeka Epps (Drey) e Jeff Lima (Roodly)

Já me tinham dito que era bom. Nunca me tinham dito que era excelente.



Half Nelson (nome de uma música) conta-nos a estória de Dan Dunne, um professor de um turma de uma escola problemática de Brooklyn. Esse professor consegue incutir nos alunos o desejo de entender História (obviamente a disciplina leccionada por ele), em vez de apenas memorizá-la. O seu desejo de mudar o mundo é contagiante. A forma que ele arranja para escapar a isso depois de ver que não consegue é vulgar.

Assim, temos um professor drogado que forma uma improvável amizade com uma das suas estudantes, Drey.

Com uma mãe muito trabalhadora que quase sempre não está em casa, um pai ausente, um irmão na prisão por tráfico de droga, Drey acaba por apoiar-se no 'patrão' do irmão que faz com que, muito subtilmente, ela entre no negócio.

O filme anda à roda da amizade entre Drey e Dan e da forma como isso faz com que eles arranjem forma para ultrapassar os seus problemas.



Eu poderia continuar a contar a estória e vocês ficariam interessados, mas seria inútil, pois é impossível prever o que se vai sentir ao ver este filme. Não é a estória em si. São as imagens, os sons, as cenas. Todo um conjunto misturado de maneira sublime fazem com que este filme seja uma experiência memorável.

A nível sonoro, o filmes não falha. Não pela excelência das músicas (muitas delas nem são conhecidas nem sequer boas), mas pela forma como a música consegue fazer o cenário. A realização é estupenda. As cenas em que menos se fala são as que dizem mais. O toque do realizador é imprescindível. É surpreendente com ele consegue dar tanta atenção aos pormenores da rotina e, a partir disso, contar-nos as emoções que rodeiam os personagens.

O elenco não podia ser mais apropriado. Destaque obviamente feito a Ryan Gosling, embora Shareeka Epps não lhe fique muito atrás. Tiro o chapéu ao senhor pois está totalmente diferente e muito melhor do que em Murder By Numbers (ele não estava mal, mas a evolução é tanta que é impossível não notar). Como a maioria dos críticos diz: Ryan é dos melhores da sua geração e a sua interpretação deste filme não tem muito que se lhe diga. É perfeita.



Depois de um filme assim é normal ficar espantado, mas compreendo a apreensão de algumas pessoas em relação ao fim. É preciso saber interpretá-lo. Ele não fecha todos os assuntos, mas significa uma nova etapa na vida das personagens principais acompanhada por uma metáfora, no mínimo, original.

Obviamente recomendado em todos os aspectos, Half Nelson é um filme a não perder.

*****
sinto-me: Estupefacto
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publicado por Ricardo às 19:23
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1 comentário:
De luxxx a 17 de Dezembro de 2007 às 18:14
Gostei muito, mas mesmo muito, de Half Nelson.

Parti para o cinema com ideias pré-concebidas, esperando ir assistir a mais clássico do género "bom professor que conquista alunos problemáticos". Não podia estar mais errado.

Na minha opinião, trata-se de uma das melhores surpresas deste ano, tanto no que toca a realização, bem como a argumento e fotografia.

E quanto à interpretação de Ryan Gosling... é inacreditável não ter conquistado o Oscar.

Um filme excelente!


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