Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

O Sentido da Noite

Um segredo enterrado. Um amor traído.
Um destino revelado.

Autor: Michael Cox
Editora portuguesa: Gótica
Ano: 2006

Foram estas as palavras que me fizeram comprar e ler este livro.

Tendo a cidade de Londres vitoriana como cenário, este romance conta estória de Edward Glyver (ou Edward Glapthorn, ou Edward Duport, ou Mr. G., ou Mr. Dark Horse, como preferirem). Bibliófilo e erudito, esta personagem embarca numa jornada para ficar com o que é seu por direito e tirá-lo das garras do seu maior adversário, Phoebus Rainsford Daunt.

Ao acabar de ler
este livro a sensação é de nostalgia, de inquietação, de conclusão, de dever cumprido. Tudo de uma forma diferente devido à anestesia obcecante provocada pela surpresa final que é tão previsível (há pistas!) como inacreditável!

A estória negra de vingança e o sol impetuoso de Evenwood fazem-nos viajar, de um  lugar para outro, de surpresa em surpresa, na esperança de que no fim, Edward e Phoebus tenham o que merecem. Como é possível os dois melhores amigos tornarem-se em inimigos mortais?

Um livro que se estranha ao início devido ao carácter pessoal e escrita na primeira pessoa e que depois se entranha devido à elegância transbordada pelas palavras. Uma leitura pesada para inexperientes, uma delícia para quem gosta de literatura.



Deixo-vos com o resumo da editora:
"Numa noite fria de 1857, um homem inocente é mortalmente esfaqueado numa viela escura. Assim começa a história de Edward Glyver, bibliófilo, erudito e [só depois] assassino.

Em criança, Glyver sempre acreditou estar destinado à grandeza. Esta parece ser a matéria dos sonhos. Até que uma descoberta acidental o convence de que tinha razão: a grandeza está mesmo à sua espera, juntamente com uma imensa fortuna e influência. E ele não se deterá perante nada para reconquistar um prémio que agora sabe que é seu por direito.

A trajectória de Glyver leva-o das profundezas da Londres vitoriana, com as suas ruas brumosas, os seus bordéis e os seus antros de ópio, até Evenwood, uma das mais encantadoras casas de campo da Inglaterra.

É uma história de traição e de perfídia, de morte e decepção, de ambição e de uma obsessão implacável. E a cada passo, impelindo Glyver irresistivelmente para frente, está o seu inimigo mortal: o poeta criminoso Phoebus Rainsford Daunt.

Escrito ao longo de trinta anos, "O Sentido da Noite" é uma obra estonteante, cheia de drama e de paixão, que cativará até à arrepiante revelação final."

****

Aqui ficam também uns versos de Phoebus, os preferidos de Edward. Muito bonitos a meu ver.

A noite caiu sobre mim.
Acabou-se o raiar do dia,
Acabou-se o fulgor do meio-dia,
Acabou-se o raio do entardecer,
Suave como suspiros de amantes.

Porque a Morte é o sentido da noite;
A eterna sombra
Em que todas as vidas vão cair,
Todas as esperanças vão expirar.
sinto-me:
música: Metallica - Enter Sandman
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publicado por Ricardo às 19:05
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8 comentários:
De luxxx a 3 de Dezembro de 2007 às 01:26
Não li mas fiquei curioso. Além do mais, a minha cara-metade foi editora da Gótica/Difel até há três anos atrás...

Entrou para lista.


De Ricardo a 3 de Dezembro de 2007 às 18:29
A sério? Olha que apesar de só ter lido este livro da Gótica, já li muitos da Difel, basicamente os da Allende. Li A Cidade dos Deuses de Pedra, O Reino do Dragão de Ouro, O Bosque dos Pigmeus e o Zorro.

É uma boa editora. Pelos menos nas traduções não tenho nenhuma queixa.


Acho que ias gostar d'O Sentido da Noite. Vale a pena ler o livro só para sentir o fim. É arrebatador!


De luxxx a 3 de Dezembro de 2007 às 20:32
É verdade, Rikardo.

Por exemplo, a Mo Hayder fui eu que aconselhei, assim como a Val McDermid, após ter lido os originais. Sou doido por policiais/thrillers...

A Isabel Allende é a galinha dos ovos de ouro da Difel. Dinheiro em caixa, isto para além de escrever extraordinariamente bem!

Após ter lido o teu post, "O Sentido da Noite" entrou para a lista!

Neste momento estou a ler "A Bruxa de Oz", de Gregory Maguire, que nos dá a conhecer o passado da Bruxa Má do Oeste de "O Feiticeiro de Oz".

Uma fantasia engraçadíssima, escrita de forma muito fluída e inventiva.


De Ricardo a 3 de Dezembro de 2007 às 21:33
"A Bruxa de Oz" --> para a lista!

Se gostas de policiais, deves conhecer as obras de uns dos meus autores preferidos: Sir Arthur Conan Doyle e Agatha Christie. Pena as obras da Agatha Christie serem tão más na edição portuguesa. Mas acho que a Asa já está a tratar disso... Mesmo assim, pessoalmente, prefiro no original...


De luxxx a 4 de Dezembro de 2007 às 02:01
Essa foi a minha "base" de policiais. Depois passei para os "noires" norte-americanos dos anos 50, terminando na nova vaga de autores responsáveis por tirarem o género do gueto onde se encontravam.

Entre outros, aconselho James Ellroy, John Connolly, Mo Hyder, Dennis Lehane e Carol O'Connell.


De Ricardo a 4 de Dezembro de 2007 às 21:39
Hei-de pesquisar sobre esses autores, visto que sou fã dos filmes do estilo "film noir". Aliás, esses também estão a receber um novo fôlego com filmes como "Sin City", "The Black Dahlia" e outros do Robert Rodriguez e Tarantino.


De luxxx a 4 de Dezembro de 2007 às 22:47
Exactamente. Por exemplo, "A Dália Negra" faz parte da trilogia de LA escrita por James Elroy.


De Sara a 27 de Maio de 2014 às 15:54
terminei a leitura deste livro ontem. absorve por completo. mesmo que tenhamos algum palpite de que isto ou aquilo era assim, ou daquela maneira, ou aquela traição ia acontecer, não conseguimos deixar de ler. um dos meus favoritos, sem a mínima das dúvidas. nunca tinha lido um livro desta época antiga, mas este absorveu-me por completo, por a forma como se lê e se quer ler mais. e no fim, bem no fim sabe a pouco, ficamos por saber o resto dos seus dias. fiquei curiosa com eles, apesar de achar que não tiveram tanta "animação" como as que passou nas paginas que nos conta. adorei.


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