Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007

Aborto

Sim? Não? Talvez? É que daqui a um mês e meio já não pode ser!

Uma das temáticas preferidas do nosso país é a vida... dos outros. Acontece que ultimamente se tem falado muito da vida dos outros, mas numa forma mais séria. É um referendo sobre o aborto que vai afectar muito boa gente, mas que parece entusiasmar particularmente os políticos, por razões que me escapam.

Os argumentos do pessoal do sim são: Ah e tal e coiso é uma questão privada, só diz respeito à mulher, ninguém tem nada a ver com isso, aquilo é desgastante e por isso não pode ir presa, se for ilegal ela pode morrer, os putos não gostam de orfanatos, etc... Embora muita gente diga que o SIM tem pouca gente, o assunto está a inverter-se.

Como já devem ter percebido, eu sou a favor do NÃO. Digo sim ao não.
Podem chamar-me retrógrado, preconceituoso e partir para insultos que ninguém me tira isto da cabeça.

Vejamos: o que eles querem agora é a despenalização. Não acho bem nem mal. Acho estúpido, a virar para o cómico. Dizem que o aborto é muito desgastante, que já foi suficiente mau perder um filho e que ninguém faz aquilo por desporto. É muito fácil de responder, quem faz aborto faz intencional e voluntariamente. Logo, não vamos ter pena! Agora não tem lógica haver uma lei sem castigo. Para que é que elas existem? Ou são a favor ou contra o aborto. "Sou contra o aborto, mas a favor da despenalização!" Não tem lógica! Ou pregam ou exterminam a lei! Decidam-se. Agora haver uma lei sem castigo? Imaginem que não havia multas para o pessoas que anda a altas velocidades. Acham que resultava? Já assim é o que é!

Continuando. Uns dizem que é preferível abortar do que tratar mal o miúdo ou deixá-los em sacos do lixo ou violá-los. Não existem instituições, casas de adopção, etc? Depois dizem que os miúdos ficam tristes nesses. Claro que estão pior do que com o pai ou a mãe (se estes forem bons)! Mas perguntem aos miúdos das instituições: "Olha, preferias ter sido abortado ou estar aqui?". A resposta é óbvia.

Quando uma mulher aborta não influencia apenas a sua vida, como muitos fazem parecer, influencia a do pai e a da eventual criança. Afinal não é tão privado quanto isso...

Já para não falar dos inúmeros métodos contraceptivos! Simplesmente não se justifica. Parem para pensar! O aborto tira a vida, eventual ou existente porque se o feto é vida ou não não é assim tão relevante!

Chamem-me radical. Mas radical ou não, se as pessoas não se descuidassem e tivessem consciência escusávamos de ter esta conversa.

Nota: Post editado a 31 de Janeiro de 2007 para a correcção de gralhas e remodelação do texto de forma a dar uma leitura mais fácil.
sinto-me:
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publicado por Ricardo às 19:58
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7 comentários:
De Nuno Carrasqueira a 26 de Janeiro de 2007 às 22:15
Argumentação genial.

Mas quanto aos insultos prepara-te que são eles que fazem a campanha do Sim.


De aprenderaviver a 27 de Janeiro de 2007 às 17:25
Eu acho q ninguém a favor do aborto. A minha questão é: será q a despenalização vai fazer com q mais mulheres façam abortos? Ou mesmo q este seja despenalizado, vão fazê-lo aos hospitais? Ou vão continuar a fazer às escondidas?


De Nuno Carrasqueira a 27 de Janeiro de 2007 às 18:16
Quem faz às escondidas continua a fazê-lo. Quem não fazia aborto passa a fazê-lo.


De Anónimo a 1 de Fevereiro de 2007 às 15:55
Essa sua teoria apresentada no paragrafo "continuando", não faz qualquer sentido lógico . Existem orfanatos, mas provavelmente nunca entrou neles. Eu tenho um filho adoptado, hoje com 8 anos, mas a altura em que fui buscá-lo (com 15 meses) haviam lá muitas crianças com 8 anos que ninguém as queria. Isto é dignidade? Já viu os espaços deprimentes onde estão os meninos ? Não viu de certeza, por quanto não fazia um comentário desses. Para mim SIM à vida, mas sem dignidade NÃO. Não podemos assentar na teoria de que "A CRIANÇA NASCE E DEPOIS ?.... DEPOIS LOGO SE VÊ".


De Ricardo a 7 de Fevereiro de 2007 às 12:20
Concordo com o que diz. Mas não acha que era melhor melhorar os orfanatos e dar condições às tais crianças? Esse problema de que fala não será resolvido com a liberalização do aborto, só será ignorado.

Agora um coisa que acho e que não disse nesse texto foi que aquelas senhoras ricaças que fazem abortos lá fora também deviam ser presas, não só as que o fazem na clandestinidade.


De AFC a 16 de Fevereiro de 2007 às 11:30
Por essa lógica de vida sem dignidade não, vamos ter que incluir uma longa lista. Deficientes profundos, doentes terminais, Idosos, se não têm dignidade na forma como vivem não merecem a vida? Isso foi apelidado de solução final pelo regime Nazi, limpar a sociedade daquilo que nós não queremos.
A pergunta às crianças do orfanato mantém-se, preferias estar aqui ou que a tua mãe te tivesse abortado. Custa-me pensar que eu estou a contribuir para abortos com os meus impostos. E quanto à despenalização, o problema ficou igualzinho, e se alguém quiser abortar às 11 semanas? Essas mulheres já merecem ser presas?
A responsabilidade da sociedade é cuidar das pessoas desfavorecidas, não é eliminar as hipóteses dessas pessoas. Eu alegremente contribuirei com os meus impostos para apoiar famílias que adoptem crianças mais velhas, contribuo para agilizar o processo de adopção, para aumentar o acesso a processos de reprodução assistida e até para aumentos do abono de família. Portugal precisa de mais jovens. Nem todos poderemos ser doutores e ter um Audi estacionado à porta mas todos temos direito de lutar a cada dia por um mundo melhor.
Quanto ao autor deste blog, nunca se sinta constrangido por lhe chamarem retrógrado ou preconceituoso. A sua opção pelo não é nobre!


De The Darkside Shenmue Ruller a 1 de Fevereiro de 2007 às 23:50
Pá, isto tudo não aconteceria se as pessoas comprassem a porcaria de um preservativo! Ou então, que as mulheres tomassem a porcaria da pílula! Tantos métodos contraceptivos e isto ainda acontece? Se fosse à quarenta anos atrás, justificava-se, mas nestes tempos as mulheres deixarem-se engravidar "sem querer"?

NÃO e pronto!


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