Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

Casamento homossexual

Antes de começar a falar sobre o tópico do casamento homossexual propriamente dito, e da nova lei portuguesa, queria falar um pouco do referendo (só mesmo de passagem porque não quero que isto se transforme num texto mais político do que social e idealista, embora ache extremamente hipócrita a decisão do Partido Socialista tendo em conta que no ano passado era contra, ou melhor, era a favor, mas não naquela altura, enfim...). Embora não tenha uma opinião sobre o referendo tão vincada como sobre o casamento, acho que não há necessidade em fazer um por várias razões: 1) gasta dinheiro desnecessário ao país; 2) o PS, partido que ganhou as eleições, tinha esta lei nas suas propostas durante a campanha eleitoral; 3) uma maioria não pode anular os direitos de uma minoria baseado em preconceitos. No entanto, tenho a esperança (ou a ingenuidade) de que Portugal tomaria a decisão certa.

 

Dizem que tenho que respeitar e que todas as ideias devem ser respeitadas. Isso é mentira. Nem todas as ideias devem ser respeitadas. Há ideias que não merecem respeito. Por exemplo (e tenham em conta que é um exemplo extremo, não sou daqueles que comparam qualquer coisa ao nazismo), Hitler tinha ideias. Ideias que não devem ser respeitadas. Se aceitarem isto, a lógica diz-nos que nem todas as ideias devem ser respeitas. Principalmente as do Hitler. Mas não só.

 

Eu até sou um pessoa que gosto de argumentar e acho que todas as ideias merecem ser debatidas. No entanto, esta questão da homossexualidade parece-me tão básica que me aborrece discuti-la e, na maioria das vezes, enervo-me, irrito-me e zango-me com quem estou a discutir. Tenho este defeito: não suporto ignorância. Muito menos quando o dono dessa ignorância teima que tem razão. Isto acontece muitas vezes com fanáticos religiosos e sujeitos ultra-conservadores contra a homossexualidade.

 

Todos temos direitos. Um deles é casar. E temos o direito de casar com quem quisermos, independentemente do sexo.

 

É anti-natural

Não, não é. A ciência já provou que existe no mundo animal. Mesmo que não existisse, não havia problema. Não é uma doença, não pode ser curada, nem tão pouco uma deficiência pois nenhum homossexual é incapacitado.

 

Casal é entre homem e mulher

Se assim for, as definições mudam.

 

É maléfico (esta é para o papa)

Faz mal a alguém?

 

O país tem coisas mais importantes com que se preocupar

Não sei porquê, mas este é o que me enerva mais. Talvez porque esteja a trivializar um asssunto importante e um direito fundamental. O país até podia estar em guerra. A questão é que um governo tem de governar em todos os aspectos e, só porque estamos numa crise económica (e não só), não podemos descurar todos os outros aspectos de um estado democrático.

 

As pessoas contra este conceito têm de compreender uma coisa. A principal. Podem não gostar. Ninguem lhes está a pedir para o gostarem. Mas têm que aceitar. Podem ter preconceitos. Mas não podem deixar os seus preconceitos governar a sociedade. É preciso pensar e deitar abaixo as ideias pré-concebidas deixadas por um mundo antigo e retrógado.

 

Já estou um bocado cansado e não estruturei o texto tão bem como queria também por falta de tempo. Por isso, deixo-vos com uns vídeos do escritor Richard Zimler que fala muito bem, tanto a expôr o assunto como a argumentar. Podem descobrir mais sobre ele neste artigo do Sapo ou na Wikipédia.

 

 

 

 


publicado por Ricardo às 23:29
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4 comentários:
De Leandro a 12 de Janeiro de 2010 às 20:49
Entrei aqui por acaso, li até o final (não vi os vídeos) e decidi comentar.

Acho anti-natural, sim. Tudo bem que a ciência tenha comprovado que 0,001%, hipoteticamente, das espécies do planeta tenham tido alguma experiência homossexual. Mas quem garante que esses exemplares não eram doentes? E mesmo que não o fossem, porque até onde eu sei os outros 99,999% são heterossexuais e isso sim é natural.

Serem macho e fêmea é premissa básica pra constituir um casal. Do contrário é um par.

Ser maléfico ou não é uma questão muito relativa. Mas definitivamente não é psicologicamente saudável, por exemplo, uma criança ser criada por dois homossexuais. Toda criança tem o direito de crescer e ser educada por um casal, cada qual com suas características. Ou é absolutamente benéfico uma criança nascida homem ter desejos de mulher e vice-versa? Há aqui um problema, seja ele de ordem genética, cultural ou de educação. O certo é que independentemente da causa o homossexualismo não é nem benéfico e nem saudável.

Tenho minhas dúvidas quanto à obrigação do país em "proteger" os direitos dos homossexuais, assim como das mulheres, negros, idosos, deficientes. O governo tem que garantir os direitos dos seus filhos, nascidos em sua pátria, sejam eles homens, mulheres, negros, brancos, etc. Garantir algum direito a mais a alguma classe é, de certa forma, discriminar a outra classe que nesse momento passa a não ser mais tratada igualmente pelos direitos contitucionais.

Por fim, acho que fiz jus ao nome do blog fazendo a minha crítica e espero não ter agredido ninguém com minhas convicções.


De Ricardo a 13 de Janeiro de 2010 às 09:31
"Por fim, acho que fiz jus ao nome do blog fazendo a minha crítica e espero não ter agredido ninguém com minhas convicções."

Nem pensar! Podes agredir psicologicamente quem quiseres. Isso não é mal nenhum. Desde que não faltem ao respeito e contribuam para um discussão saudável, todos os comentários são bem-vindos a este blog.



Anti-natural? Mas porquê? Quem é que dita isso? Se uma percentagem tão grande da humanidade (5 a 10 por cento) é homossexual então a mãe natureza deve ter feito uma grande asneira.

Quanto ao número de animais, isso é muito relativo. O animal é diferente do humano. Enquanto os animais têm o objectivo de procriar, acho que podemos concordar que o objectivo dos humanos não é só esse estando mais orientado, na actualidade, para a obtenção da felicidade e de bem-estar.



"Serem macho e fêmea é premissa básica pra constituir um casal. Do contrário é um par."

Casamento ou matrimónio é o vínculo estabelecido entre duas pessoas, mediante o reconhecimento governamental, religioso ou social e que pressupõe uma relação interpessoal de intimidade, cuja representação arquetípica são as relações sexuais, embora possa ser visto por muitos como um contrato. (Wikipédia PT)

União legal entre duas pessoas. (http://pt.thefreedictionary.com/)

Cerimónia em que se celebra a união. (http://pt.thefreedictionary.com/)

Mesmo que a definição de casal seja entre macho e fêmea, e eu continuo a argumentar que as palavras mudam, a do casamento, apesar de ser derivada de casal, distancia-se um pouco e, nas definições que encontrei, nem sequer referem a necessidade de um casal heterossexual. União? Sim. Relações sexuais? Sim. Contrato? Sim. Não acho que exista alguma diferença para além do sexo dos intervenientes.



"Ser maléfico ou não é uma questão muito relativa. Mas definitivamente não é psicologicamente saudável, por exemplo, uma criança ser criada por dois homossexuais. Toda criança tem o direito de crescer e ser educada por um casal, cada qual com suas características. Ou é absolutamente benéfico uma criança nascida homem ter desejos de mulher e vice-versa? Há aqui um problema, seja ele de ordem genética, cultural ou de educação. O certo é que independentemente da causa o homossexualismo não é nem benéfico e nem saudável."

É benéfico? Em parte, não, devido à discriminação imposta na nosso sociedade por pessoas como tu. Em parte, sim, porque se é algo que dá felicidade a duas pessoas e no qual elas se sentem bem, porque não?

É maléfico? Eu não acho e os teus argumentos são fácilmente derrubados. Geneticamente? Nada indica que seja maléfico. A cultura muda-se e a educação ídem. Não são constantes, mas sim variáveis. E quanto ao ser saudável. Sim, é. O ser-se homossexual não gera nenhum problema de forma física ou nenhuma doença. Tu achas que não é porque consideras a homossexualidade uma doença em si, o que, obviamente, está errado.



"Garantir algum direito a mais a alguma classe é, de certa forma, discriminar a outra classe que nesse momento passa a não ser mais tratada igualmente pelos direitos contitucionais."

Não estamos a garantir um direito "a mais" a uma classe. Estamos a garantir um direito que eles tinham "a menos". Agora é que existe igualdade perante a constituição!



Só mais uma coisa em relação às crianças, principalmente ao que disseste sobre "Toda criança tem o direito de crescer e ser educada por um casal, cada qual com suas características". Gostava que fosses dizer isso às crianças que estão a passar a sua infância em casas de acolhimento e orfanatos. Ser criado por um casal homossexual é diferente, mas não necessariamente negativo.


De mariana. a 15 de Janeiro de 2010 às 20:28
Por acaso tinha pensado escrever um post sobre este assunto no meu blog, qual coincidência em encontrar aqui um muito bem explícito.

A sociedade em que vivemos é claramente retrógrada e preconceituosa, mas o mais admirável é o quão rápido uma visão conservadora se transforma em homofobia.
Na última semana, ou seja, desde a aprovação do casamento, tenho ouvido coisas que me fazem questionar se realmente todo o ser humano é tão.. nem tenho palavra. Já é do conhecimento geral que mais de metade da população portuguesa acha a homossexualidade anti-natural , mas ditos como "esses paneleiros são piores que assassinos", "é por gajos assim que o país não anda para a frente", "deviam morrer todos", "isso é doença", "o que diria Deus!" , só demonstram a incrível mente tacanha (para não usar adjectivo pior...) que as pessoas têm. E, atenção, refutar estes argumentos não leva a lado nenhum. Afinal de contas, lutar contra a ignorância é uma batalha há muito perdida, não é verdade?

E agora pergunto: de onde vem tanto ódio? É algo que surge com idade e experiência ou são valores já transmitidos pelos pais? É a sociedade que molda essas opiniões?
Ainda ontem ouvi uma mãe dizer: "Preferia que chegasses a casa grávida e que o pai do bebé não quisesse saber de vocês do que contar-nos que és lésbica."
Isso responde à minha questão? Talvez clarifique a questão. Em parte.

E são pensamentos como esse que nos levam directamente para a questão da adopção. Sou contra por um simples motivo: nenhuma criança filha de homossexuais sobreviveria nesta sociedade sem uma pesada carga de danos psicológicos.
Se as coisas fossem diferentes (acredito que um dia serão!) então, nesse caso, seria plenamente a favor.
"Primeiro estranha-se, depois entranha-se." - é essa a minha visão para o futuro em relação a este tema.
Bom post e, apesar de já estar cansada de me irritar com o assunto, é bom saber que existe gente que partilha a mesma opinião.


De Ricardo a 16 de Janeiro de 2010 às 20:23
Eu não posso concordar contigo em relação à adopção. Uma pessoa não pode deixar de fazer uma coisa só porque a sociedade não aceita. Eles nunca se irão habituar se continuarmos assim. Só quando os casais homossexuais puderem adoptar crianças é que a sociedade vai começar a aceitar. Vai demorar, mas vai acontecer, como muitos outros preconceitos que se foram desvanecendo com o tempo. Para além disso, as crianças são inocentes, mas também são cruéis. Elas gozam com tudo. Ser filho de homossexuais seria apenas mais uma desculpa. E acho que a nova geração é muito mais aberta do que a geração anterior, logo, estes problemas serão trivializados mais tarde ou mais cedo. Esperemos que seja mais cedo.

Já agora, Mariana, deixa aqui o link do teu blog para eu dar uma vista de olhos.


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