Sábado, 27 de Setembro de 2008

Seda

Eu podia andar a arranjar desculpas por não ter feito um post ontem: "Ai não sei quê... muito trabalho.", "Ai não sei quantos... estive doente", mas seria desonesto da minha parte visto que estive a ver um filme. E a verdade é que mais valia ter escrito aqui qualquer coisinha. Outra coisa: para quem gosta muito, um bocado, ou mesmo só um bocadinho dos meus textos e quiser mais, pode passar pelo Hotvnews onde faço uma análise semanal aos episódios de Bones e mais algumas coisinhas.

 

 

Nome original: Silk
Ano: 2007
Duração: 107
Slogan: Each step away from her... brings him closer.
Realizador: François Girard
Argumentista: François Girard
Actores: Michael Pitt, Keira Knightley e Sei Ashina

Silk até nem é um mau filme, é apenas um filme muito muito chato. Não vou mentir quando digo que a única razão que tirei o filme da prateleira do videoclube foi a menina Keira. Já sei que vão dizer que é devido ao meu olhar apurado, mas ela conta com um portefólio de filmes que me agradam muito, salvo os dois últimos dos Piratas das Caraíbas e aquele do Beckham, como por exemplo Orgulho e Preconceito e Expiação. Fiquei desiludido.

Em termos de realização e de direcção de fotografia, Silk é imaculado. Não é nenhum Atonement, mas todos os movimentos da câmera são feitos com extremo cuidado e perfeição. Não arrisca muito, é verdade. Mas juntamente com as magníficas paisagens do meu país fetiche, Japão, torna-se muito agradável. O problema é que se torna muito monótono. Podiam ter usado uma abordagem mais do género de O Fiel Jardineiro ou Memento para atenuar esse problema, mas não o fizeram.

Agora juntemos, os poucos diálogos mais alguns em japonês, as paisagens, a fotografia, a câmera muito direitinha, tudo isso torna o filme numa monotonia. Se eu quisesse ver paisagens, e às vezes estou para isso, vejo no National Geographic Channel. Eu podia resumir o filme numa página.

 


Havia um sujeito que trabalhava para outro sujeito, sujeito esse que era dono de quatro fábricas de tecelagem, o primeiro sujeito foi ao Japão para buscar bichos da seda porque os bichos do primeiro sujeito estavam doentes e aquele era o único lugar em que os bichos eram saudáveis. De referir que esse sujeito era casado com uma sujeita, sujeita essa que era a Keira Knightley. Ele foi ao Japão e conheceu uma concubina, voltou e com os bichos da seda fez-se rico e viveu feliz, voltou ao Japão e dormiu com a tal concubina, voltou rico e viveu infeliz porque traiu a mulher, quando foi lá outra vez, em tempos mais conturbados levou do marido da concubina, voltou e viveu mais ou menos feliz. Existe mais algum enredo e até uma surpresa engraçada, mas basicamente o filme é isto.

E então pergunto eu, mesmo depois de uma longa viagem, quem é que trai a Keira Knightley? Ela é magrinha, já sei. E depois? Quem é trai a Keira Knightley? Se eu tivesse a Keira não a traía. Eu não lhe dava era descanso. Agora, trair aquela menina? Só um doido! E o palerma nunca sabe o que quer. Chegou ao fim do filme e eu não percebi de quem é que ele gostava, se da japonesa, que por acaso até era chinesa, se da Keira. Já sei no que estão a pensar, ele queria as duas. Ora também eu, mas a geografia não estava a favor do rapaz. Mesmo assim, quem é que trai a Keira?

Agora mais a sério, é claro que a única qualidade deste monótono filme não é a sua excelente realização. Tem também a vantagem de podermos ver a Keira Knightley semi-nua, mais uma chinesinha completamente sem roupa. E não é que os imperadores do Japão têm bom gosto?

Para concluir, Silk é um filme com uma excelente direcção artística, uma óptima realização e um argumento que é uma grande grande seca. Desaconcelhado ao público em geral. Apenas aconselhado aos apreciadores a 7ª arte para um dia em que tenham muita paciência.

 

**

sinto-me:
música: The Last Shadow Puppets - Hang The Cyst
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publicado por Ricardo às 21:55
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4 comentários:
De luxxx a 28 de Setembro de 2008 às 02:54
Não vi, confesso. Não faz o meu género. A Keira também não. Estou longe de achar erótico o género etíope. Além do mais, a fominha é uma coisinha muito triste.

Digamos que a tua alusão a "Bones" assenta que nem uma luva num post dedicado a um filme com a menina Knightley.



De Ricardo a 28 de Setembro de 2008 às 10:25

Boa piada... Mas hey! Até tu deves ter gostado de Atonement e Pride and Prejudice, não? E ela nesses filmes não estava magrinha, estava até normalzinha! Olha que me deixaste a rir bastante com esse comentário...


De WILLIAM MORAES CORRÊA (OS FOLIÕES) a 5 de Outubro de 2011 às 22:53
Você está totalmente por fora. Chatoe monótino é seu blog. Trata-se de um filme único e espetacular. Nota 10! Uma pena ler uma decepcionante crítica. Muito pobre, mesmo! Não, você não assistiu ao filme. Confessa, vai. Não tem o que fazer e ficar escrevendo bobagens. Ou não entendeu nada... Dããã.

Fraco? Esse filme é simplesmente lindo. E muito forte. É um filme de arte que foi feito para ser delicadamente exibido e apreciado. O roteiro é impecável, enxuto, direto, leve na essência mas forte e marcante quando necessário. A trama corre com vigor e a fotografia é algo de sublime. O Japão com neve nos proporciona momento de rara beleza. Nada fica de mais, tudo tem seu momento certo.

O romance do francês com a chinesa foi apresentado de forma convincente, uma vez que não era para chamar para si a atenção exclusiva. toda a atenção. O momento único juntos foi um dos suportes da essência final. Se passasse do ponto, perderia o sentido. O filme não se desenrola somente nos dois. Foi tudo na medida exata. Até porque a esposa desempenharia o papel mais importante na balança.

Agora, o poema, o texto que ela deixa em japonês é algo de espetacular, fantástico, maravilhoso e tudo que se puder colocar de elogios. Um poema como esse não se encontra mais. Para mim, um dos dois melhores textos apresentados em um filme em toda a historia do cinema (o outro é a narração final de Como Era Verde Meu Vale). De parabéns! Uma obra-prima! Muito, muito lindo e emocionante.




De WILLIAM MORAES CORRÊA (OS FOLIÕES) a 5 de Outubro de 2011 às 22:54
Luxxx, que tal aprender a gostar de cinema de verdade?


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