Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

Esta vida de universitário está a dar cabo de mim, paparapapara paparaparapari

Vamos parar de falar de música, séries e jogos (só hoje) para fazer jus à descrição deste blog como um Blog Pessoal Generalista. Embora ache que o Criticando seja um bocadinho mais que isso.

Hoje comecei a minha vida universitária, no entanto não me senti especialmente bem-vindo. Apesar do esforço da minha faculdade em organizar uma palestra de boas vindas (meu deus, duas horas, duas horas!! coitado do meu estômago), reinou a desorganização. Não faltaram engenheiros emproados que explicavam melhor as coisas às filhas dos amigos dos seus colegas também Srs. Engenheiros do que ao caloiro comum. Cunhas, digamos em linguagem de gente. Palestra chegada ao fim, vejo que só tenho uma hora para almoçar, que é o mesmo que dizer que não posso ir a casa. Lá fui a um mini-centro comercial. O problema foi que a comida é substancialmente diferente da comida da mãezinha. Resultado: o meu estômago começou a fazer barulhos esquisitos durante a palestra seguinte. Um grande contratempo quando o objectivo é a confraternização com os elementos do sexo oposto.

Mas a razão porque me senti mal vindo não teve só a ver com a desorganização e seus amigos. Como vossas excelências, os atentos leitores, já devem estar a pensar, uma das minhas reticências tem a ver com a controversa praxe. Fui lá, não porque achasse as actividades gratificantes e belas de executar, mas por aquela coisinha que os ingleses gostam de chamar de peer pression. E eu, como ser humano social que sou, lá fui. No primeiro dia (dos dois que fui) pensei que podia ser pior. No segundo pensei várias vezes e decidi que era uma experiência que não queria repetir. O caloiro tem pouco por onde fugir, visto que os senhores doutores (doutores uma ova!) andam à caça como cães no cio.

Não concordo com o regime só porque faço parte da frota do primeiro ano, não concordo porque acho que é estúpido, sem objectivo e sem lógica. Se já não estava a gostar, então quando me põem um bêbado mal vestido a falar, e esse senhor nos compara a zebras, bem, um gajo pensa (sim, porque os caloiros pensam) e diz: porque raio é que eu estou a dar ouvidos a um gajo que anda aqui há mais anos do que manda a vida e tem um q.i. que muito provavelmente não chega a metade do meu?

Mas ainda sou capaz de justificar melhor indo às razões porque a praxe existiu em primeiro lugar. Confraternização entre caloiros. Confraternização uma ova! Primeiro, como gajo alto que sou, fico a trás a sentir o cheiro dos cavalos suados enquanto as éguas de puro sangue lusitano (poucas, mas boas, e é preciso saber escolher) estão lá à frente. Segundo, um tipo nem pode falar quando mais confraternizar!

Outro argumento, que nem se devia chamar de argumento, que os veteraníssimos gostam de usar (para além daquele do "eu também já fui" facilmente contraposto pelo famoso exemplo da "ponte") é o argumento do "não acredites em nada do que te dizem, vem e tira as tuas próprias conclusões". Ora bem meus senhores, se todo o conhecimento humano fosse obtido por experiência própria, seríamos uma espécie ignorante. Além do mais, eu já fui, já estive e já vim, e ainda por cima digo: ou cresçam ou desapareçam.

Agora falemos numa linguagem mais séria e de coisas (ainda) mais importantes. Os universitários, na maioria e não exclusivamente, ditam o futuro do seu país. A praxe, como ritual cultural duma universidade, devia defender os mesmos valores: criatividade, inteligência e imaginação. Como é que essa merda pode acontecer quando a praxe é um modelo roubado à tropa, tipo irmão mais novo, em que os alunos prancham, recebem ordens e engolem insultos. Será que é mesmo o modelo adequado? Será que não deviam adoptar por coisas mais recreativas e menos parecidas com uma linha de montagem? É que de robôs está o país cheio. Enferrujados, ainda por cima.

música: The Last Shadow Puppets - In The Heat Of The Morning

publicado por Ricardo às 19:34
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9 comentários:
De luxxx a 23 de Setembro de 2008 às 18:31
Excelente post, Rikardo!!!!!

Totalmente de acordo.

Odeio praxes. Detesto praxes. Abomino praxes.

A falta criatividade, sensibilidade e inteligência dos tipos que praticam essa coisa inenarrável é de tal forma curta e básica que deveria ser objecto de estudo.

Súcia de atrasados mentais.





De Ricardo a 23 de Setembro de 2008 às 22:12
Sempre há aqueles que gostam de aderir ao espírito de submissão. Nunca irei entender...

Já ouviste as novas músicas dos TLSP? As que vêm com os singles.


De luxxx a 25 de Setembro de 2008 às 03:02
Ainda não. Qualidade mantida?


De Ricardo a 25 de Setembro de 2008 às 14:51
São seis. Gosto de todas, mas há três que se destacam: In The Heat Of The Morning, Two Hearts In Two Weeks e Wondrous Place. Adoro a parte inicial de Hang The Cyst.


De luxxx a 25 de Setembro de 2008 às 22:13
Neste preciso momento... em busca.


De Pedro a 1 de Outubro de 2008 às 17:01
Deixa lá, melhores tempos virão.

Acho que deixas, http://wwwwwef1-wwe.blogspot.com/, vejam o meu blog, comentem por favor, tem alguns erros, s´otenho 13 anos, mas acho que não é desculpa, ou ate pode ser, grande blog tens aqui rikardo!


De Filipa Monteiro a 3 de Outubro de 2008 às 16:20
Olá Rikardo ! antes de mais parabéns pela tua entrada na Universidade... Não sei se ainda te lembras de mim, fizeste, um dia, um comentário ao meu blog e apreciei o teu espírito crítico (infelizmente foi o último mas isso é outra conversa ;))... Quanto às praxes... Eu fui praxada durante um ano inteiro e assiduamente e também praxei, isto porque, apesar de algumas controvérsias (que existe em tudo o que é feito por pessoas) a praxe pode ser importante para a adaptação e para o crescimento das pessoas... E tu perguntas: Crescer??? Como? se aquilo não tem lógica e são só uns bebados a pensar que mandam???
E eu respondo: é preciso algum estômago para ouvir pessoas, sem qualidade para tal e sem motivo, a dar ordens... mas a verdade é que na vida por vezes é preciso saber ouvir, analisar o que nos dizem para depois poder argumentar de forma coerente e pensada... e a praxe ensina a controlar os impulsos, e a pensar antes de falar.... depois posso-te falar das vantagens já conhecidas a nível de socialização (e não só com o sexo oposto), na universidade fiz as minhas maiores e melhores amizades que nasceram na praxe...

Sem te querer maçar mais fica um pequeno conselho (que como conselho que é podes deitar ao lixo lol) não desistas já da praxe... o primeiro mês é o pior, mas também te proporciona as experiências mais intensas.

Boa Sorte para os teus estudos
;)


De Ricardo a 3 de Outubro de 2008 às 23:08
Hum... tenho de continuar com a minha opinião.
É muito simples:

Integração = Bom
A forma como a praxe é feita = Mau

Quanto à socialização, como referi, faço mais amigos fora da praxe. E quanto aos impulsos: "a praxe ensina a controlar os impulsos, e a pensar antes de falar..." digo-te que se há uma coisa que aquilo faz é perder o controlo. E eu até sou muito controlado! Só que... há limites.

Quanto ao eu ir ao teu blog, tenho de admitir que me tenho esquecido... nada que uma entrada nos favoritos não resolva!

Boa sorte para seres professora!


De Hugo Abreu a 8 de Outubro de 2008 às 21:09
Tenho de deixar comentário porque com o mini-centro comercial fizeste-me lembrar os almoços que, à falta de espaço, eram nas escadas do Campus S. João... lol

Em relação à Praxe fui praxado e gostei, mas pronto aquilo era mais pra rir do que outra coisa, mas não praxei porque no meu ano havia muita gente frustrada à procura de protagonismo... Mas pelos vistos nos empregos a história é quase a mesma! ;-)

Continua com o bom blogue!


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